segunda-feira, 29 de agosto de 2016

território móvel

meu território
espaço de vida no qual piso e amplio
terra móvel que me leva e descaminha
feita de água e céu
feita de vento e chuva
e da temperatura do meu caminhar
tem arruda no meu jardim

meu caminho
espaço fluído onde se mistura
sofrimento com flor
espinho com amor
e desenterra
esse meu estado bruto de dentro
como se fosse uma pedra expandida
ou um corpo expandindo e caminhante 
pro meu fim 
que é também começo de mim

é todo dia essa destreza
é todo dia esse caminhar
me volto às origens 
do meu primeiro flanco experimentado
o dia em que olhei o mundo pela primeira vez
e quis plainar na paisagem
pra ser tudo o que não poda
eu senti uma missão profunda
de ser inteira minha
e lhe dar um pouco do que colhi das margens 
desse contorno que transborda
que é meu corpo
e é feito de uma paisagem sonora 
e carne e efeitos singelos de puro sim e não

eu tinha uma certeza de tudo
quimera!
eu tinha uma certeza de tudo
não era...

na minha boca
um passarinho veio me beijar
e era de amor que ele falava

na minha boca
um passarinho veio me trazer
uma canção engasgada 
que eu sorvi para ele não morrer

foi olhando pro alto que eu pude observar 
o seu voo abrupto
um vestígio ligeiro de alguém 
que caminha no chão e no ar
e uma brisa fresca deslocou meu corpo
para um lado e para o outro
e eu me curvei sem me quebrar
e porque eu sinto esse vento inteiro
se derrapando sob a minha pele
que eu acho que a vida também me quer












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