quinta-feira, 29 de setembro de 2016

casa difusa

eu morava numa casa
cheia de cômodos
labirintos e memórias

fotos, cartas
declarações
telefonemas
ausências

a casa era habitada por muita imaterialidade

emails difusos enviados na madrugada
nomes intercalados ao meu
gritos
mentiras
sussurros

a casa era habitada por muita inventividade

era tanta memória de outros carnavais
que um dia eu acordei já do lado de fora
próxima à porta
mais especificamente descendo as escadas

todo aquele contorno dos gestos e das vozes
das outras me circundaram e me amarraram
disseram: aqui não é o seu lugar

e aos poucos eu percebi que ali não era mesmo o meu lugar

uma casa que nunca me convidou a ficar
só poderia ser uma casa de muita imaterialidade






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