sexta-feira, 15 de julho de 2016

o amor é dádiva
dar receber retribuir

mas quando ele não retribui
o corpo se encolhe pequeno
fica ressentido 
se mutila aos poucos
foge do assunto
se afugenta em ser
um corpo encrespado
no meio de um tudo

às vezes o amor retribui um naco
aí o corpo se revolta
fica irresoluto
na mira de um tiro

quer morrer
quer fugir
quer meter

mas não morre, nem foge, nem mete

fica parado no estreito desejo 
entre ter um pouco
e ter tão pouco

às vezes o amor retribui em dobro
aí o corpo se expande 
em peso volume e medida
vira um balão
cheio de gás hélio
pra condecorar
o desejo 
ou dizer adeus





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