o amor é dádiva
dar receber retribuir
mas quando ele não retribui
o corpo se encolhe pequeno
fica ressentido
se mutila aos poucos
foge do assunto
se afugenta em ser
um corpo encrespado
no meio de um tudo
às vezes o amor retribui um naco
aí o corpo se revolta
fica irresoluto
na mira de um tiro
quer morrer
quer fugir
quer meter
mas não morre, nem foge, nem mete
fica parado no estreito desejo
entre ter um pouco
e ter tão pouco
às vezes o amor retribui em dobro
aí o corpo se expande
em peso volume e medida
vira um balão
cheio de gás hélio
pra condecorar
o desejo
ou dizer adeus
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