até o horizonte se transmutar
em serpente e te engolir
inteira,
como um mito
na canoa
os araweté
ainda vivem
os araweté
ainda vivem
no início
era o infinito
e os lírios
uma metáfora para todas as bocas
e o campo
uma metáfora para mim mesma
e o horizonte
uma beirada da terra escorregadia
e o horizonte
uma beirada da terra escorregadia
que num deslize
te leva ao subterrâneo
do subterrâneo
do subterrâneo
da dor
lá não há lírio nem campo nem precipício
nem cruzes nem moradas
lá o tempo se faz pelas pedras
e o vento te leva a ser um pássaro
que do alto da sua mirada
vê em mim um ponto de partida
ou um ponto de vista
te leva ao subterrâneo
do subterrâneo
do subterrâneo
da dor
lá não há lírio nem campo nem precipício
nem cruzes nem moradas
lá o tempo se faz pelas pedras
e o vento te leva a ser um pássaro
que do alto da sua mirada
vê em mim um ponto de partida
ou um ponto de vista
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