as bacias hidrográficas que se misturam e se colidem nesse rolo de papel.
(Desdobro o mapa em cima da mesa. Vejo linhas, viagens, carros, enchentes.
Vejo, sobretudo, meus pés, submersos em algum lago longínquo, na Índia.
Nunca fui pra Índia. Mas é lá que vejo agora meus pés mergulharem).
Não é preciso saber mas é melhor sabê-lo. Que toda água da chuva que cai nas proximidades ou num raio de até 200 metros da minha casa entra pela calha e se acumula num cilíndrico volumoso até despencar por inteira pela corrente enferrujada que prendi no alto do telhado até o chão, para que a mesma percorresse esse caminho, sem sobrecarregar a calha.
Fecho o mapa e com ele, toda a água desenhada na superfície em escalas reduzidas se movem e me banham com ondas calmas em algum lugar longínquo, na Índia. Movo meus pés para o alto mas eles já estão crivados, submersos pelas correntes frias do lago. No alto, uma gaivota diz adeus.
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